Direto do ESTADO DE MINAS (por Ângela Faria).

Seção : Música – 19/04/2009 16:42
Lula Queiroga lança novo CD Tem juízo mas não usa

Enquanto preparava o lançamento do disco Tem juízo mas não usa, o compositor pernambucano Lula Queiroga pediu a internautas que lhe enviassem fotos para o cenário do novo show. Pela internet, chegaram centenas de colaborações de várias partes do mundo – devidamente incorporadas ao site do músico. Desde março, estão na rede cenas do início da turnê, registradas em apresentação no teatro da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Em poucas semanas, Lula contabilizou 42 mil acessos de gente interessada em conferir o trabalho dele.

Além de estimulante, essa visibilidade virtual é necessária, principalmente diante da crise, pois a “marolinha” do conterrâneo presidente foi um tsunami nos planos do xará cantor. A turnê de lançamento do disco teria o apoio de poderosa empresa, mas tudo se complicou. Com a cara, a coragem, belas canções e “pequenos micropatrocínios”, como ele diz, Lula Queiroga caiu na estrada. Neste fim de semana, cantou para os cariocas; em maio, tem show agendado em São Paulo. Araraquara, Santos e Porto Alegre estão na agenda.

Lula Queiroga tem talento e usa

Encantado com o Brasil que redescobriu ao participar do Projeto Pixinguinha, o compositor se entusiasma em cantar tanto nas grandes capitais como em Caxias do Sul. “Desbravar é bonito”, afirma. Nada mais gratificante do que receber fãs de Ponta Grossa pedindo autógrafos depois do show. “Nem sei onde eles conseguiram arrumar meus discos”, confessa.

Lula mora no Recife, onde comanda a produtora Luni – verdadeira incubadora nordestina de talentos. Daqueles estúdios saem discos – inclusive os três do chefe –, comerciais, clipes, programas educativos, documentários e curtas-metragens. Parceiro e compadre de Lenine, ele é autor de Dois olhos negros, A rede, A ponte e Alzira e a torre. Com o sobrinho Yuri, produziu o álbum Qual o assunto que mais lhe interessa?, de Elba Ramalho, indicado ao Grammy Latino no ano passado. Suas canções estão na voz de Elba, Zélia Duncan, Pedro Luís e A Parede, Ney Matogrosso e da dupla mineira Milton Nascimento-Marina Machado. Recentemente, o compositor se juntou a Roberto Berliner para filmar o elogiado documentário Pindorama – A verdadeira história dos sete anões, sobre uma trupe circense.

Multiartista é pouco para definir Lula Queiroga. Rapazinho, ele escrevia para o programa de Chico Anysio na TV Globo. Foi colunista de música o Diário de Pernambuco. Cantor, compositor, produtor e cineasta, talvez fosse mais apropriado chamá-lo de usina de ideias. Resumindo: é gente que faz. Sem ficar chorando pelos cantos o leite do patrocínio derramado.

TRILOGIA

Tem juízo mas não usa completa trilogia com Aboiando a vaca mecânica (2001) e Azul invisível vermelho cruel (2004). O artista mantém saudável coerência: multiforme, a obra de Queiroga sempre surpreende. O galego é homem da palavra – seus versos, sem nenhum favor, estão entre os mais criativos da MPB contemporânea. Para ele, canções são como organismos vivos. No caso do último CD, foram criadas nas sessões de ensaio no Recife. O próprio álbum foi vítima de mutação: no início, chamava-se Tudo enzima. Acabou rebatizado depois de uma apresentação no Rio, quando a canção Tem juízo mas não usa conquistou o público. Composta com Pedro Luís, ela literalmente sumiu no tempo. Foi registrada no computador, mas o HD de Pedro queimou. O CD que Lula levara para o Recife desaparecera dentro de uma bolsa e só foi resgatado anos depois.

Lula chama suas canções de mosaicos poéticos. Antenado no dia a dia de seu bairro e do mundo, ele cria ficções. Enquanto ele canta, dá para “ver” os versos, devidamente harmonizados com ambientações sonoras estranhamente belas. Há surrealismo e impasses existenciais por ali. Ecos de cirandas, maracatus, Mutantes e Novos Baianos se fundem às guitarras dos jovens Eduardo Braga e Yuri Queiroga, às belas e estranhas programações de Felipe Falcão, Yuri e Tostão Queiroga.

Difícil encaixar as canções de Lula numa prateleira: elas não se limitam a ser rock, MPB, ciranda, balada, samba, bossa nova ou maracatu eletrônico. Raiz e antena, o pernambucano diz que seus três discos são completamente diferentes, mas traduzem a mesma coisa. Para o “caçula”, ele convocou um time de craques: Lirinha (Cordel do Fogo Encantado); maestro Spok, genial saxofonista que toca frevo como ninguém; Toninho Ferragutti; Bactéria (Mundo Livre S/A); Pupillo (Nação Zumbi); Jr. Tostoi. Além de talentos da novíssima geração pernambucana, como Felipe S. (Mombojó) e China (ex-Sheik Tosado), batem ponto os veteranos Alceu Valença e Lenine.

Aos 49 anos, Lula diz que a maturidade vem “compensar a juvenília eterna”. A identificação com a moçada é natural, nem passa perto de armações oportunistas. Ele viu crescer o mombojó Felipe S., com quem divide o vocal na delicada Melhor do que eu sou. O sobrinho Yuri era meninote quando Aboiando a vaca mecânica foi lançado. Agora, aos 21 anos, o guitarrista deixa sua assinatura no disco novo do tiozão. Não tem essa conversa de “avalizar” a nova geração, ou “aprender” com os jovens. O que encanta Lula é a devoção da rapaziada ao ofício. Rápida, descomplicada e sem vícios, a moçada não tem medo de ousar. Cá para nós: aqui, todo mundo tem juízo.

Link para a matéria original:
http://www.new.divirta-se.uai.com.br/html/sessao_19/2009/04/19/ficha_musica/id_sessao=19&id_noticia=10211/ficha_musica.shtml

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